ROCK

Da Defasagem à Reciclagem do Rock Nacional.

Parece estranho essa expressão Defasagem e Reciclagem do Rock Nacional, mas é exatamente isso que está acontecendo. Nos últimos 3 anos vimos o fim ou talvez uma pausa de muitas bandas do cenário do Rock Brasileiro. No entanto, em contra partida, vimos outras bandas que já pareciam extintas voltarem com toda a foça no cenário musical.

É inegável, embora alguns discordem que o Rock brasileiro vem passando por uma despopularização nos últimos anos, principalmente com o público jovem, que sempre foi o maior consumidor do gênero. E isso pode ser por uma série de fatores; falta de investimento pelos grandes empresários da indústria fonográfica; falta de união (cooperativismo) entre as bandas; e até mesmo uma dificuldade dos artistas mais novos se relacionarem com as massas. Mas acho que não é a hora de tentar entender porque o Rock perdeu boa parte do seu território e sim procurar maneiras para reconquistar seu merecido espaço.

A meu ver, depois da geração que começou com CPM 22, Pitty, Detonautas e Nx Zero, nenhuma outra banda conseguiu atingir o grande público. Surgiram muitas bandas de qualidade que não deixam nada a dever as citadas acima, porém não conseguiram cravar seus nomes entres os grandes da música brasileira. E com a expansão de gêneros musicais como por exemplo o Sertanejo Universitário ficaram sem espaço na cena musical. O que levou muitas bandas a encerrarem a carreira antes do que esperavam. Nos últimos tempos bandas como Sugar Kane, ForFun, Strike (que tá fazendo seus últimos Shows) encerraram a carreira ou tiraram umas férias prolongadas (sem data para voltar). Não estou afirmando que todas as bandas pararam por falta de espaço, mas com certeza isso contribui.

No entanto algumas bandas que já pareciam estar extintas da cena musical voltaram com força total como é o caso do Ira, Planet Hemp e Plebe Rude que pareciam lendas paras os mais novinhos e tão ai rodando o Brasil e o Mundo. E por que essas bandas tem espaço e as mais novas não?! A resposta é simples, essas bandas já tem seus nomes cravados na música brasileira, não dependem de conquistar o público. Elas podem até não tá tocando na rádio nem na televisão, mas canções como “Tarde Vazia” “Girassol” do Ira, “Mantenha o Respeito” “Digdigdig” do Planet Hemp e “Proteção” “Até quando esperar” do Plebe Rude estão no subconsciente das pessoas, não tem como não lembrar quando toca. E isso pode-se dizer que é uma reciclagem do Rock e é extremamente importante para fortalecer a cena.

Essa reciclagem, o que também podemos chamar de renovação do que já existe é de extrema importância, mas falta uma inovação, um fortalecimento para as bandas novas e uma união maior no meio independente que tá cada vez mais reduzido com bandas acabando e casas de shows que tinham espaço aberto para o underground fechando as portas.

É valido tanto para as bandas quanto para o público essa reflexão, sobre a atual cena do Rock brasileiro. Temos que comemorar essa reciclagem, mas temos que lutar com unhas e dentes contra a defasagem do Rock e da música brasileira como um todo. E essa luta começa com uma grande união entre as bandas e o público. Porque não adianta o cara que é fã de uma banda tipo Garotos Podres sair pregando contra o Dance Of Days, ele não tá contra o Dance Of Days ele tá enfraquecendo o Rock como um todo. Pense nisso!

Paulo Rogério Carneiro

 

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